Baden Powell 80 anos

Para marcar os 80 anos de nascimento de Baden Powell (1937-2000), o Acervo Digital do Violão Brasileiro (violaobrasileiro.com.br) está produzindo, com apoio do Estúdio Muzak, uma série de conteúdos (vídeos inéditos, entrevistas, artigos, verbete e uma curadoria de estudos e discos) dedicados a esse que é um dos principais inventores do nosso violão. A iniciativa tem parceria com a Faria & Friends Produções e todo o material vem sendo publicado semanalmente desde o início de agosto no portal Acervo e nas mídias sociais da Muzak. O último post será divulgado no final de outubro.

A largada da Maratona Baden começou com o vídeo inédito do violonista paulistano Waldir Junior, numa precisa e contagiante interpretação de Choro Para Metrônomo, um dos temas instrumentais mais complexos de Baden. Em seguida, o Acervo passou a enriquecer a seção Discografia com os principais LPs e CDs de Baden, com ficha técnica completa e duas a três faixas para audição em formato streaming.

Além disso, a seção Biblioteca do portal disponibilizou quatro valiosos estudos acadêmicos, cada uma com abordagens bem diferentes: Baden Powell e o jazz na música brasileira, realizado por Marcelo Brazil; O Violão de Baden Powell, de Nelson Fernando Caiado; O violão acompanhador: os arranjos do disco Afro-Sambas de Paulo Bellinati e Mônica Salmaso, escrito por Samuel da Silva; e Baden Powell À Vontade: recursos técnicos para arranjos de violão solo, de Gustavo de Medeiros.

Em setembro, haverá uma entrevista em formato ping pong com o violonista Marcel Powell, que contará a trajetória musical e curiosidades sobre o mais novo CD Só Baden, inteiramente dedicado às músicas do pai. No mesmo mês, será divulgado o vídeo exclusivo com o violonista Paulo Porto Alegre interpretando Violão Vadio. Os artigos e novos vídeos estão programados para outubro. O Acervo e o Estúdio Muzak também estudam possibilidades de produzir uma música inédita de Baden, descoberta nos arquivos de fitas magnéticas de um sarau, em 1959, possivelmente para ser interpretada por Marcel Powell.

Legado

Considerado um divisor de águas na história do violão brasileiro, Baden Powell é inventor de recursos técnicos, a exemplo da levada de mão direita bem original, que deram nova dimensão à música instrumental brasileira. Como compositor, está entre os mais importantes de todos os tempos da MPB, principalmente nas parceiras com Vinícius de Moraes (Samba da Bênção, Apelo, Samba em Prelúdio, Deixa, Tempo Feliz, Consolação, Canto de Ossanha, Berimbau e Valsa Sem Nome) e com Paulo César Pinheiro (Refém da Solidão, Última Forma, Lapinha, Cai Dentro e Violão Vadio).

Baden também compôs riquíssimas obras instrumentais, como Choro Para Metrônomo, Cego Aderaldo e Lotus. Como arranjador, desenvolveu um estilo de tocar sambas tanto em violão solo quanto em formação de trio com baixo e bateria, cujas gravações e apresentação ao vivo se tornaram paradigmáticas. A música de Baden Powell é conhecida internacionalmente, sobretudo na França e na Alemanha.