Centenário Dino

O mês de maio marca os 100 anos de nascimento de Horondino Silva, o Dino 7 Cordas (1918 – 2006), que revolucionou a linguagem do acompanhamento no choro, no samba e no baião, a ponto de não haver hoje praticamente nenhum violonista de sete cordas que não estude suas gravações ou não tenha influência dele. Para celebrar o centenário, o Estúdio Muzak está viabilizando a produção de uma série de vídeos inéditos, artigos, playlists de músicas, além da divulgação de estudos, teses e discos dedicados ao universo do violão 7 cordas e a seu mestre maior.

O trabalho está sendo produzido pelo Acervo Digital do Violão Brasileiro. Ainda nesta semana teremos depoimentos e vídeos com grandes herdeiros do Dino, a exemplo de Rogério Caetano, Marcello Gonçalves e Alessandro Penezzi. Esses mesmos violonistas estão assinando uma seleção das gravações mais significativas do Dino para ser ouvida na Discografia do Acervo.

O repertório das playlists é formado de temas instrumentais nos antológicos Regional de Benedito Lacerda, Canhoto e Seu Regional e o Época de Ouro de Jacob do Bandolim, dos quais Dino era integrante, com em discos lançados entre as décadas de 1930 e 1960. Mas também abrange discos fundamentais do samba dos anos 1970 e 1980, de Cartola, Nelson Cavaquinho, João Nogueira, Clara Nunes e Beth Carvalho, além do forró de Luiz Gonzaga.

As pesquisas que estão sendo divulgada são as valiosas dissertações “Dino 7 Cordas e o acompanhamento de violão na música popular brasileira”, escrita por de Márcia Taborda, além de “Acompanhamentos de Dino 7 Cordas em Samba e Choro”, de Remo Pellegrini, “Pixinguinha e Dino Sete Cordas: reflexões sobre a improvisação no choro”, assinado por José Reis de Geus, e “The Brazilian Seven String Guitar”, do australiano Adam May, e “O Idiomatismo do Violão de Sete Cordas”, de Fabiano Borges.

Legado

Nascido no Rio de Janeiro em 5 de maio de 1918, Horondino Silva, o Dino 7 Cordas, criou uma escola curiosa, baseada em audições de seus trabalhos gravados. Como o violão sete cordas não tem muito método, todo mundo tem que ouvir as gravações dele.

Sua maior importância é ter fixado profissionalmente o violão de sete cordas no panorama da música brasileira, através de uma maneira de tocar. Foi ter consolidado da forma através das gravações, nos moldes de uma escola não-oficial, de percepção direta, e assim fixou toda uma escola de choro e de samba. Ele foi a pessoa que mais entendeu a função do sete cordas num regional, e é um dos últimos guardiões dessa tradição.

De 1936 até pouco antes de morrer, em 2006, Dino foi dos instrumentistas que mais atuou na Era do Rádio e mais participou de gravações de disco. De Pixinguinha a Raphael Babello, passando por Jacob do Bandolim. De Dalva de Oliveira e Orlando Silva a Chico Buarque, Fagner e Marisa Monte. São poucos os grandes nomes da MPB que não tenham trabalhos assinado com Dino. Ele se destacava sem nunca invadir o espaço dos outros instrumentos ou do cantor. Ao contrário, valorizava-os. As gravações de Dino são clássicas não só porque ele toca muito bem, mas porque ele faz os outros tocarem e cantarem melhor.