MAURITSSTADT 2

DISCO MAURITSSTADT 2 UNE MÚSICA DA TRADIÇÃO PERNAMBUCANA E NOVAS TEXTURAS SONORAS

O projeto Mauritsstadt está de volta. Lançado recentemente nas principais plataformas digitais, o álbum duplo é formado por 10 faixas, cada, que passeiam entre forrós, cocos e maracatus, concebido e produzido pelo Estúdio Muzak e Candeeiro Records, de Recife. No disco 1, podem ser ouvidas as músicas originais dos mestres populares de Pernambuco que as criaram. No disco 2, as mesmas obras são recriadas em reinterpretações de produtores musicais contemporâneos, não necessariamente pernambucanos.

O time de mestres presente em Mauritsstadt 2 é composto por Tavares da Gaita, Sagrama, Zé de Teté, Luiz Paixão, Orquestra Popular do Recife, Erasto Vasconcelos, João Paulo e Barachinha, Coco Raízes de Arcoverde, Maracatu Estrela Brilhante e Arlindo dos 8 Baixos.

Entre os produtores convidados para recriar as músicas originais, três participaram do primeiro Mauritsstadt: Pupillo, DJ Dolores (agora no projeto Stank) e Buguinha Dub. Completam o time Chico Correa, Hurtmold, Yuri Queiroga, Rica Amabis, Maquinado, Turbo Trio e Lucas Santanna.

Com direção musical e produção executiva assinadas por Pupillo e Marcelo Soares, Mauritsstadt 2 é patrocinado pelo Sistema de Incentivo à Cultura da Cidade do Recife, com apoio do Hospital Memorial São José.

O novo disco surge treze anos após o lançamento do álbum duplo Mauritsstadt Dub: alteradores de estado (Candeeiro Records / Fábrica Discos), dando continuidade à proposta de fazer uma ponte entre a música de raiz pernambucana e novas texturas da música atual.

CONCEITO
O conceito do projeto surgiu da necessidade de registrar a diversidade musical pernambucana – considerada a maior do país – exaltando artistas populares e promovendo uma hibridização cultural entre ritmos que nasceram nas ruas em Pernambuco e o som pop de outros países.

O título do projeto remete à Cidade Maurícia – como era chamada Recife à época da ocupação holandesa (1630-1654). Nesse período, os pernambucanos experimentaram pela primeira vez o cosmopolitismo e a tecnologia avançada da época.

REMIX
“A curadoria do elenco considerou não apenas a grande relevância desses mestres, mas também a trabalhos anteriores que realizamos, pois eles já circularam no ambiente do nosso estúdio. Além disso, há um diálogo criativo importante entre os músicos e artistas convidados”, afirma Marcelo Soares, produtor do disco e diretor do Estúdio Muzak.

Ao contrário do primeiro CD produzido em 2005, no qual os mestres gravaram faixas especialmente para o projeto, o novo projeto é formado por uma antologia de fonogramas extraídos de vários discos. Marcelo Soares destaca que a palavra “remix” nesse projeto tem um sentido mais abrangente do que meramente uma versão eletrônica produzida por DJs.

Até porque alguns remixes do disco foram produzidos por bandas em estúdio. “É um trabalho que dá mais liberdade ao músico para reinterpretar. Muitos deles acrescentaram vários outros instrumentos às gravações originais, refizeram o tema quase do zero, com livre criação”.

RAROS REGISTROS
Em Mauritsstadt 2, alguns dos mestres têm raros registros fonográficos. É o caso de Tavares da Gaita, ou José Tavares da Silva (1925-2009), representante da música e da cultura popular de Caruaru, famoso por construir os próprios instrumentos. Tavares lançou um único álbum, Sanfona de Boca (2003).

É também o caso de João Paulo e Barachinha, dois poetas da Zona da Mata Norte de Pernambuco que só conseguiram gravar suas músicas em 2008, por meio do projeto Poetas da Mata Norte, uma série de coletâneas organizadas pelo músico Siba.

Buguinha – que fez versão para a música Olha o Mateus! (Orquestra Popular do Recife) – acredita que projetos como esse são a chance de levar essa música de raiz para um público que não a conhece, como aconteceu nos anos 1990 com a história de Chico Science e Mundo Livre. “A mistura de elementos trouxe a atenção do mundo pros mestres”, ele diz. “A importância de uma coletânea como essa é usar outra linguagem que abra outras portas e universos e que, na real, a gente conquiste mais ouvidos”.